sábado, 30 de outubro de 2010

Viva o dia das bruxas!

A origem do Halloween permanece até os dias de hoje oculta no seu próprio significado. Acredita-se que quase um milênio antes de Cristo, os povos pagãos da Bretanha tenham criado uma forma de culto para reverenciar o final do verão e a chegada do inverno, ou simplesmente dedicar a data como uma forma de homenagear os mortos. O culto era denominado Samhain.
Até os dias de hoje, encontros de grupos de druídas modernos, místicos, gnósticos e bruxos ocorre em diversos locais da Europa, principalmente em Londres.
Um dos maiores encontros ocorre por intermédio da Livraria Tavstock, de Covent Garden, especializada em livros sobre diversas filosofias de vida, ocultismo, esoterismo ou espiritismo. Geralmente acontece nos bosques do Hampstead Heath Park.
De acordo com a tradição druída, o Samhain durava cerca de uma semana. O festival invocava o espírito dos antepassados por intermédio dos sacerdotes druídas ao seu povo. Era uma festa grandiosa e repleta de felicidade, já que o druidismo acredita na vida perfeita e absoluta no lugar dos "mortos". Também celebrava-se o encontro do céu e da terra, ou simplesmente o final das estações, entre o verão e o inverno.
Em meio ao esquisitismo católico do dia dos finados ou a festa de todos os santos, muito pouco sobrou nos dias de hoje em relação ao culto dos antigos celtas.
No entanto, o pouco que sobroou é muito bem aproveitado por aqueles todos que sabem aproveitar. Os encontros, aqui em Londres, servem para a confraternização das almas. Pessoas alegres se reunem. Discutem assuntos importantes como o cosmos, o universo, Buddha, questões filosóficas as mais variadas. Coisas da natureza. Se vestem ao rigor do simples. Geralmente mostram roupas coloridas. Rastas. Vira e mexe e são vegetarianos. Pensam positivo. Vira e mexe e deixam de lado Jesus, Pedro, e as coisas ligadas à fé das mentes materialistas.
No entanto, por falar em materialismo, o que predomina mesmo é o censo do conceito errado. O dia das bruxas nada mais é do que mais um deles, movidos pelas vendas. Fantasias e morangas. As pumpkins estão por todo o lugar.
Nos dois vídeos abaixo, a vitrine da Fortnum e Maison, a maior e mais luxuosa loja de variedades encravada em Mayfair, no coração de Londres.
O segundo vídeo num dos clubes privados mais famosos e ricos de Londres, o Morton´s, encravado na região de Mayfair, coração de Londres, local onde a parcela mais alta da sociedade dos ricos está. Por sinal e curiosidade, o local onde eu trabalho. O ambiente mostra apenas o bar, começando a ser decorado. Outro dia mostrarei o restante dos quatro andares do clube e contarei a história de um senhorzinho de 30 e poucos anos, chamado Marlon Abela.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Vista panorâmica de Atenas

Atenas, vista de cima, do monte ao Lado do Partenon, local conhecido como a Prisão de Sócrates.

O fim da democracia ateniense

Para os bons historiadores e aqueles interessados em História, falar em democracia ateniense é o sinônimo de reconstituir em milênios tudo aquilo que o ocidente qualifica como o nascimento da lei, do respeito, do livre arbítrio, da dignidade, oralidade, liberdade, igualdade, e tudo mais.

Não quero, aqui, entrar nesse mérito.

No entanto, qualifico este momento como um dos mais históricos que eu já vivi. Um jornalista em férias, com a esposa, ansioso para pisar num dos locais mais sagrados do planeta: O Partenon, na rocha sagrada de Acrópolis, centro antigo de Atenas.

Tínhamos três dias de férias em Atenas, no começo de outubro. Nos hospedamos num hostel o qual eu recomendo para todos os mochileiros como nós, sem muita frescura, mas limpo e com um bom café da manhã. A escolha foi perfeita: o hostel fica ao lado da Acrópolis, cinco minutos à pé e vizinho a todas as estações centrais de metrô. Tudo, absolutamente tudo, transcorria na mais perfeita tranquilidade. Até a chegada ao portão principal.

-Estamos em greve! Ninguém pode entrar na Acrópolis! - exclamou uma funcionária do governo. Outras centenas de turistas boquiabertos também procuravam explicação.

Tentei argumentar com a menina:

- Bom dia. Sou jornalista e venho do Brasil para escrever um artigo para uma revista especializada em Arqueologia. Gostaria de entrar e tirar algumas fotos. O restante até posso fazer depois, mas preciso das fotos.

- Ninguém entra! - reforçou a grevista.

Perguntamos quem era o coordenador do movimento de greve, ela respondeu:

- Somos nós mesmos!

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À primeira vista, alguns jovens funcionários despreocupados com a dimensão do assunto davam a impressão de que aquilo tudo não passava de uma arruaça estudantil ou um movimento muito adolescente. Mas não era.

Os funcionários do governo realmente estavam em greve. A Grécia atravessa difícil crise financeira e o governo não paga funcionários há meses.

No entanto, o assunto chegou ao extremo. Barrar a entrada de turistas nos templos sagrados dos deuses gregos.

Este foi um dos momentos mais históricos de toda minha vida. Algo que jamais será visto novamente, talvez. Não se tem notícia de que, em mais de 2.500 anos, os portões dos templos sagrados tivessem sido fechados ao público por um movimento de greve!

Sim, eu sei. Daria Fantástico. Jornal Nacional, ou quem sabe a Rádio Gaúcha tivesse algum interesse.

Por outro lado, foi um momento muito pessoal. Estar lá. Na hora certa. No momento certo. Vendo tudo sem intermédio de terceiros. Ao lado do perigo!

Foi quando a polícia de choque grega chegou. A Raquel, como sempre mais precavida, esperava por mim a uns 20 metros do foco dos acontecimentos. Eu?

Bom, pelo vídeo, é muito fácil identificar o local onde eu estava!

No final das contas, ou como diz um velho amigo radialista... "entre mortos e feridos, todos se salvaram"!!

No terceiro dia da nossa visita conseguimos entrar na Acrópolis. As fotos estão postadas no meu orkut e no da Raquel. Porque momentos tão históricos precisam ser divididos com amigos e família!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O som do pedal

Oxford Circus. Meio da tarde. Me despeço da Raquel. Ela, ao trabalho. Eu, rumo à estação do metrô. Ao lado da GAP, uma ruela. Um som. Estranho, confesso. Harmonioso. Um som que ganhava a reverberação de paredes estreitas e altas dos prédios vizinhos. A ruela, até então deserta, começava a ganhar o contorno dos curiosos. Pessoas paravam para olhar. E ouvir.

Um universo paralelo, em meio ao ruído da rua. Sons de motores. Gente.
Em meio a tudo, o músico. Alheio a tudo.
Não ouvia mais nada. Apenas tocava. Com muita energia.
Tocava adiante o som da bike.
A mesma que o levaria para casa mais tarde, depois de voltar a ser uma bike.

O delicioso e doce mundo da cozinha

"Under pressure" e os movimentos e sons perfeitos do filme Ratatuille demonstram algo em torno de um bom percentual do que realmente é o fantástico mundo da cozinha profissional, gastronomia de alto padrão em escala mundial.
O restante do percentual que sobrou desta conta vai para o bolso dos bons momentos. Momentos de trabalho, é claro, mas que jamais deixam de ser igualmente prazerosos.
Muito legal na cozinha é ter a certeza de que, sempre que se constrói uma receita, há uma prova. Devo confessar, honestamente: sou um maníaco depressivo por doces.
E, momentos como estes, tenham certeza, marcam a memória de qualquer Chef para o restante de sua vida.
No entanto, se todos que lêem este texto pensam que o fato de ser um maníaco chocólatra é o momento mais interessante do vídeo, enganam-se "chocolatramente".
O melhor de tudo é saber que, mesmo "under pressure", num dos trabalhos mais exaustivos e não menos valorizados entre todas as profissões do mundo, o ser Chef revela, também, um vasto mundo de amizades. Pessoas de todas as partes do mundo. Brincadeiras. Sorrisos francos, conversa fiada.
O mundo da cozinha nos oferece a oportunidade ímpar de conhecer pessoas. E compartilhar histórias de vida. Quantos tapas de pó de cacau ganhou o Genaro?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O arranjo de Nápoles

Texto de André Pinheiro Machado
Foi quando o silêncio se fez presente. Infestou o ambiente com a ausência de tudo. Ain Soph não sentia no rosto a velocidade do vento. Não ouvia folhas e frutas caindo. Estava sentado, com as costas apoiadas no tronco daquela árvore. Tranquilo. Com os olhos fechados. Não sentia odores, via cores ou experimentava qualquer sabor. Estava ali. Simplesmente estava. Como se jamais estivera antes.

Ain Soph tinha apenas a impressão convicta de que seu nome ainda não estava completo. Decidiu que, naquela maré de ausências, simplesmente ficaria ali onde estava. Imóvel. Irredutível. Num momento de repouso naquela tarde escaldante do verão em Nápoles.
Estava mergulhado num mundo evidente e sem formas, em condições muito abstratas de sua própria existência. Sabia, no entanto, sobre a importância em definir uma posição para que pudesse sair de vez daquela situação de ausências.

Foi quando definiu sua própria posição. Imaginou um ponto. Ain Soph reconhecia que, caso houvesse algo além do nada, esse algo somente poderia começar com uma posição fixa. Esta era a primeira condição para que começasse a transformar sua própria existência.

Foi então que entendeu: um simples ponto continuará sem significado algum se não puder ser comparado com alguma outra coisa, pois continuará para sempre sendo apenas um ponto!
O único modo para tentar solucionar o mistério no qual estava imerso era inserir um outro ponto.
Quando imaginou os dois pontos, Ain Soph, instantâneamente, fez o traço mental de uma linha. Mas seus problemas não terminavam ali. Pelo contrário. Alheio às coisas ao seu redor, pois ainda não existiam coisas ao seu redor a não ser a inexistência de coisas contidas na sua própria composição, sabia que dois pontos não implicavam em medir distâncias. Ele apenas considerava que existiam duas coisas. Dois pontos capazes de conversar e interagir um com o outro, mas sem saber a que distância estavam. Era preciso haver uma terceira coisa.

Era necessário um outro ponto.


Incidentalmente, Ain Soph mostrava a si mesmo, com a criação do terceiro ponto, a existência do plano. Estava criado o triângulo. E, com ele, o todo da Geometria Plana.


No entanto, ainda não existia qualquer substância em suas idéias. Em fato, não haviam idéias como um todo, a não ser o fato de existir a distância e a possibilidade de medidas angulares. A Geometria Plana parecia incoerente aos olhos de Ain Soph.


Ele mesmo criou o abismo no qual estava prestes a atravessar. Precisava imaginar o factual. O agora. O aqui. O material. Um quarto ponto se tornou essencial, mostrando a ele que a saída era a criação da idéia de matéria. O ponto, a linha, o plano e o sólido.


Estava completa a primeira parte daquilo que poderia ser dito como o desenvolvimento do nada para a existência de alguma coisa. No entanto, nada poderia acontecer senão a posição de certos pontos em relação aos outros e a si mesmo. Uma quinta idéia era necessária: Ain Soph pensava positivamente na existência do movimento. Ain acreditava que o mundo era perfeito.


Começava a desenhar a idéia de tempo em sua mente. Sabia, desde então, que somente através do tempo e do movimento é que algum evento poderia vir a suceder. O número 5, ou a letra Hé do alfabeto Hebreu, é condicionada à Grande Mãe universal. É o útero no qual o Grande Pai, Yod, pictoricamente desenhado como o último ponto, move-se e procria a existência ativa.


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Ain Soph passou a entender a possibilidade da idéia concreta do ponto. Autoconsciente, com um passado, um presente e um futuro. Estava, assim, criando o sexto número: o autoconsciente, capaz de viver experiências. Tudo o que ele queria, naquele momento, era explorar as possibilidades da sua descoberta. Ainda não apresentava definições muito claras dos próximos números, no entanto, ainda encostado naquela árvore da vida, de olhos fechados e em silêncio, teve a lúcida sensação da presença de Sat, a essência do ser, Chit, o pensamento e Ananda, o prazer em poder estar vivendo em si mesmo. Eram o 7,8 e 9.


Abriu os olhos e entendeu a mensagem que havia recebido segundos antes. Sabia, a partir de agora, que o absoluto deve ser ou se manter como o nada até que tome consciência de suas possibilidades e venha a se juntar às vivências de todos os tipos de possibilidades.

Ergueu a cabeça e visualizou um horizonte de luz. Entendeu que as idéias de ser, pensar e viver constituem as qualidades mínimas que um ponto deve possuir se quiser contar com algum tipo de experiência real de si mesmo nos caminhos da vida. A luz, encandescente àquela altura do dia, o fez levantar. Cerrou os olhos e, quase cego de tantas evidências, viu a esfera brilhante à sua frente: trazia o número 10 e a parte que lhe faltava do próprio nome: Ain Soph Aur, "a luz infinita".

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Bicicletas endiabradas!

Impossível diagnosticar com precisão o ponto de vista mais chocante na capital dos Holandeses.

O consumo de drogas dos mais variados tipos, o sexo, exposto nas vitrines das gaiolas das prostitutas e a utilização das bicicletas como o principal meio de transporte formam o triângulo mais potente nesta revoada de coisas novas aos olhos.É neste terceiro tópico que eu empresto o meu tempo.


O sistema capitalista: bikes para aluguel.

Amsterdam é particularmente atraente ao ciclismo. O plano físico da cidade é constituido de semi circulos, pontes, passagens e ciclovias. Detalhe: a cidade é plana e elevações praticamente inexistem.


Nos anos 60, em torno de 75% do movimento no trânsito era composto por ciclistas. O governo incentivou a construção de avenidas inteiras destinadas aos ciclistas e as viagens de bike eram feitas com vários propósitos: ao trabalho, para deslocamento rápido, na ligação entre distritos mais distantes ou simplesmente para um simpes passeio de camelo na beira dos canais, no centro da cidade.

No entanto, com o aumento do poder aquisitivo e a modernização que começava a acontecer por volta dos 70, o percentual de usuários chegou a cair até os 25, 30%. O trânsito de veículos aumentou e o centro da cidade ficou congestionado. Nada mais propenso na cidade do bom censo do que, é claro, revolucionar outra vez.

O governo reforçou ainda mais o apoio aos ciclistas, enumerou apelos ao verde, contou com fiéis adeptos para realizar campanhas e, mais uma vez, devolveu às ruas da cidade aquilo que sempre foi um dos pontos marcantes nas paisagens dos arredores do Rio Amstel: os camelos e seus donos endiabrados.!

Hoje, o trânsito conta com sinaleiras, estacionamentos, cemitério de bikes antigas ao céu aberto, a manutenção dos camelos como parte importantíssima no cartão postal e o lucro com o aluguel das bikes aos turistas.


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Recém hoje, nos idos de 2010, Londres acorda para a realidade plana e sem poluição do uso da bicicleta. O prefeito Boris Johnson inaugurou, há dois meses, o primeiro projeto que possibilita aos ciclistas utilizar bicicletas por aluguel. Desenvolvido pelo Transport For London, o projeto é denominado Barclays Cycle Hire e, obviamente, conta com todo o apoio do Banco Barclays.

Ao pesquisar a página deles na Internet, notamos já na apresentação a fortaleza do sistema: "utilize por onde quizes, mas devolva-a para o próximo usuário". A multa para quem retém a bicicleta ou a danifica é de 150 libras, o suficiente para comprar uma boa bike zero bala.

É assim que o sistema funciona e, como sempre diz o indelével Neto Jones: "o sistema é bruto, fio!".

Mais de 500 mil viagens à passeio ou trabalho, ou com os mais diversos fins já foram feitos por ciclistas nos camelos do Barclays e a tendência é de que o número se torne estratosférico até os meados dos jogos Olímpicos em 2012, quando o plano é tornar Londres uma das capitais mais verdes e limpas do mundo. Será?

O vídeo abaixo mostra um pouco da organização no trânsito de Amsterdam.