sábado, 30 de outubro de 2010
Viva o dia das bruxas!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Vista panorâmica de Atenas
Atenas, vista de cima, do monte ao Lado do Partenon, local conhecido como a Prisão de Sócrates.
O fim da democracia ateniense
Para os bons historiadores e aqueles interessados em História, falar em democracia ateniense é o sinônimo de reconstituir em milênios tudo aquilo que o ocidente qualifica como o nascimento da lei, do respeito, do livre arbítrio, da dignidade, oralidade, liberdade, igualdade, e tudo mais.
Não quero, aqui, entrar nesse mérito.
No entanto, qualifico este momento como um dos mais históricos que eu já vivi. Um jornalista em férias, com a esposa, ansioso para pisar num dos locais mais sagrados do planeta: O Partenon, na rocha sagrada de Acrópolis, centro antigo de Atenas.
Tínhamos três dias de férias em Atenas, no começo de outubro. Nos hospedamos num hostel o qual eu recomendo para todos os mochileiros como nós, sem muita frescura, mas limpo e com um bom café da manhã. A escolha foi perfeita: o hostel fica ao lado da Acrópolis, cinco minutos à pé e vizinho a todas as estações centrais de metrô. Tudo, absolutamente tudo, transcorria na mais perfeita tranquilidade. Até a chegada ao portão principal.
-Estamos em greve! Ninguém pode entrar na Acrópolis! - exclamou uma funcionária do governo. Outras centenas de turistas boquiabertos também procuravam explicação.
Tentei argumentar com a menina:
- Bom dia. Sou jornalista e venho do Brasil para escrever um artigo para uma revista especializada em Arqueologia. Gostaria de entrar e tirar algumas fotos. O restante até posso fazer depois, mas preciso das fotos.
- Ninguém entra! - reforçou a grevista.
Perguntamos quem era o coordenador do movimento de greve, ela respondeu:
- Somos nós mesmos!
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À primeira vista, alguns jovens funcionários despreocupados com a dimensão do assunto davam a impressão de que aquilo tudo não passava de uma arruaça estudantil ou um movimento muito adolescente. Mas não era.
Os funcionários do governo realmente estavam em greve. A Grécia atravessa difícil crise financeira e o governo não paga funcionários há meses.
No entanto, o assunto chegou ao extremo. Barrar a entrada de turistas nos templos sagrados dos deuses gregos.
Este foi um dos momentos mais históricos de toda minha vida. Algo que jamais será visto novamente, talvez. Não se tem notícia de que, em mais de 2.500 anos, os portões dos templos sagrados tivessem sido fechados ao público por um movimento de greve!
Sim, eu sei. Daria Fantástico. Jornal Nacional, ou quem sabe a Rádio Gaúcha tivesse algum interesse.
Por outro lado, foi um momento muito pessoal. Estar lá. Na hora certa. No momento certo. Vendo tudo sem intermédio de terceiros. Ao lado do perigo!
Foi quando a polícia de choque grega chegou. A Raquel, como sempre mais precavida, esperava por mim a uns 20 metros do foco dos acontecimentos. Eu?
Bom, pelo vídeo, é muito fácil identificar o local onde eu estava!
No final das contas, ou como diz um velho amigo radialista... "entre mortos e feridos, todos se salvaram"!!
No terceiro dia da nossa visita conseguimos entrar na Acrópolis. As fotos estão postadas no meu orkut e no da Raquel. Porque momentos tão históricos precisam ser divididos com amigos e família!
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
O som do pedal
Um universo paralelo, em meio ao ruído da rua. Sons de motores. Gente.
Em meio a tudo, o músico. Alheio a tudo.
Não ouvia mais nada. Apenas tocava. Com muita energia.
Tocava adiante o som da bike.
A mesma que o levaria para casa mais tarde, depois de voltar a ser uma bike.
O delicioso e doce mundo da cozinha
terça-feira, 7 de setembro de 2010
O arranjo de Nápoles
Foi quando o silêncio se fez presente. Infestou o ambiente com a ausência de tudo. Ain Soph não sentia no rosto a velocidade do vento. Não ouvia folhas e frutas caindo. Estava sentado, com as costas apoiadas no tronco daquela árvore. Tranquilo. Com os olhos fechados. Não sentia odores, via cores ou experimentava qualquer sabor. Estava ali. Simplesmente estava. Como se jamais estivera antes.Ain Soph tinha apenas a impressão convicta de que seu nome ainda não estava completo. Decidiu que, naquela maré de ausências, simplesmente ficaria ali onde estava. Imóvel. Irredutível. Num momento de repouso naquela tarde escaldante do verão em Nápoles.
Foi quando definiu sua própria posição. Imaginou um ponto. Ain Soph reconhecia que, caso houvesse algo além do nada, esse algo somente poderia começar com uma posição fixa. Esta era a primeira condição para que começasse a transformar sua própria existência.
Foi então que entendeu: um simples ponto continuará sem significado algum se não puder ser comparado com alguma outra coisa, pois continuará para sempre sendo apenas um ponto!
Era necessário um outro ponto.

Incidentalmente, Ain Soph mostrava a si mesmo, com a criação do terceiro ponto, a existência do plano. Estava criado o triângulo. E, com ele, o todo da Geometria Plana.
Ele mesmo criou o abismo no qual estava prestes a atravessar. Precisava imaginar o factual. O agora. O aqui. O material. Um quarto ponto se tornou essencial, mostrando a ele que a saída era a criação da idéia de matéria. O ponto, a linha, o plano e o sólido.
Estava completa a primeira parte daquilo que poderia ser dito como o desenvolvimento do nada para a existência de alguma coisa. No entanto, nada poderia acontecer senão a posição de certos pontos em relação aos outros e a si mesmo. Uma quinta idéia era necessária: Ain Soph pensava positivamente na existência do movimento. Ain acreditava que o mundo era perfeito.
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Abriu os olhos e entendeu a mensagem que havia recebido segundos antes. Sabia, a partir de agora, que o absoluto deve ser ou se manter como o nada até que tome consciência de suas possibilidades e venha a se juntar às vivências de todos os tipos de possibilidades.
Ergueu a cabeça e visualizou um horizonte de luz. Entendeu que as idéias de ser, pensar e viver constituem as qualidades mínimas que um ponto deve possuir se quiser contar com algum tipo de experiência real de si mesmo nos caminhos da vida. A luz, encandescente àquela altura do dia, o fez levantar. Cerrou os olhos e, quase cego de tantas evidências, viu a esfera brilhante à sua frente: trazia o número 10 e a parte que lhe faltava do próprio nome: Ain Soph Aur, "a luz infinita".
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Bicicletas endiabradas!
Impossível diagnosticar com precisão o ponto de vista mais chocante na capital dos Holandeses.O consumo de drogas dos mais variados tipos, o sexo, exposto nas vitrines das gaiolas das prostitutas e a utilização das bicicletas como o principal meio de transporte formam o triângulo mais potente nesta revoada de coisas novas aos olhos.É neste terceiro tópico que eu empresto o meu tempo.
O sistema capitalista: bikes para aluguel.
Amsterdam é particularmente atraente ao ciclismo. O plano físico da cidade é constituido de semi circulos, pontes, passagens e ciclovias. Detalhe: a cidade é plana e elevações praticamente inexistem.
Nos anos 60, em torno de 75% do movimento no trânsito era composto por ciclistas. O governo incentivou a construção de avenidas inteiras destinadas aos ciclistas e as viagens de bike eram feitas com vários propósitos: ao trabalho, para deslocamento rápido, na ligação entre distritos mais distantes ou simplesmente para um simpes passeio de camelo na beira dos canais, no centro da cidade.
No entanto, com o aumento do poder aquisitivo e a modernização que começava a acontecer por volta dos 70, o percentual de usuários chegou a cair até os 25, 30%. O trânsito de veículos aumentou e o centro da cidade ficou congestionado. Nada mais propenso na cidade do bom censo do que, é claro, revolucionar outra vez.
O governo reforçou ainda mais o apoio aos ciclistas, enumerou apelos ao verde, contou com fiéis adeptos para realizar campanhas e, mais uma vez, devolveu às ruas da cidade aquilo que sempre foi um dos pontos marcantes nas paisagens dos arredores do Rio Amstel: os camelos e seus donos endiabrados.!
Hoje, o trânsito conta com sinaleiras, estacionamentos, cemitério de bikes antigas ao céu aberto, a manutenção dos camelos como parte importantíssima no cartão postal e o lucro com o aluguel das bikes aos turistas.
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Recém hoje, nos idos de 2010, Londres acorda para a realidade plana e sem poluição do uso da bicicleta. O prefeito Boris Johnson inaugurou, há dois meses, o primeiro projeto que possibilita aos ciclistas utilizar bicicletas por aluguel. Desenvolvido pelo Transport For London, o projeto é denominado Barclays Cycle Hire e, obviamente, conta com todo o apoio do Banco Barclays.
Ao pesquisar a página deles na Internet, notamos já na apresentação a fortaleza do sistema: "utilize por onde quizes, mas devolva-a para o próximo usuário". A multa para quem retém a bicicleta ou a danifica é de 150 libras, o suficiente para comprar uma boa bike zero bala.
É assim que o sistema funciona e, como sempre diz o indelével Neto Jones: "o sistema é bruto, fio!".
Mais de 500 mil viagens à passeio ou trabalho, ou com os mais diversos fins já foram feitos por ciclistas nos camelos do Barclays e a tendência é de que o número se torne estratosférico até os meados dos jogos Olímpicos em 2012, quando o plano é tornar Londres uma das capitais mais verdes e limpas do mundo. Será?
O vídeo abaixo mostra um pouco da organização no trânsito de Amsterdam.